Requisitos da Anatel para Picos de Energia

Publicado: 17 Sep 2015

Última Atualização: 17 Sep 2015

Equipamentos de telecomunicações devem ser submetidos a testes rigorosos de resistência para picos de tensão antes de serem autorizados para uso e comercialização no Brasil. Nesse artigo vamos detalhar os requerimentos para resistência a picos de eletricidade aplicados para equipamentos de telecomunicações no Brasil.

Infraestrutura de Rede Elétrica no Brasil

Como explicado no artigo Como obter homologação de produtos pela Anatel, qualquer equipamento de telecomunicações que deverá ser utilizado ou comercializado no Brasil deve ser submetido a um processo de homologação regulado pela Agência Nacional de Telecomunicações, ou a Anatel.

Como parte desse processo, os equipamentos devem passar por testes laboratoriais designados para certificar a segurança de uso e a resistência a condições adversas, como emissões eletromagnéticas, altas temperaturas e picos de tensão e de corrente elétrica. Esse processo é similar ao aplicado por agências internacionais como nos Estados Unidos e membros da União Européia, porém no Brasil os requisitos para resistibilidade a perturbações eletromagnéticas são significativamente mais rigorosos.

A rigidez desses procedimentos está em grande parte relacionada à intenção de autoridades brasileiras de assegurar o funcionamento de equipamentos de telecomunicações em casos de instabilidade na rede elétrica do Brasil. Esses requisitos podem parecer razoáveis quando se leva em conta a alta quantidade de raios que atingem o país todos os anos e a falta de investimento nas redes de distribuição de energia elétrica.

Fabricantes e importadores de equipamentos de telecomunicações devem estar atentos aos requisitos de resistibilidade elétrica aplicados no Brasil, especialmente porque produtos aprovados por agências internacionais podem não ser necessariamente aprovados pela Anatel para comercialização e uso no país.

Produtos Suscetíveis a Testes

De modo geral, todos os produtos de telecomunicações que necessitam de ligação a redes elétricas são suscetíveis a testes para determinar sua resistibilidades a picos de tensão. Esse também é o caso de equipamentos alimentados por conexões de telecomunicações, como é o caso de telefones fixos, que precisam ser testados para assegurar que essas entradas também apresentam resistibilidade a pertubações elétricas.

Alguns dos equipamentos que devem ser submetidos a esses procedimentos de testes incluem:

Requisitos de Teste

A maior parte dos requisitos de teste de resistibilidade elétrica são baseados em regulamentação e medidas orientativas de organizações como a IEC, CISPR e ITU, aplicadas com maior rigor a fim de adequar os produtos às características da infraestrutura da rede elétrica.

Como determinado por resoluções da Anatel, os requisitos de teste envolvem conectar o equipamento a circuitos elétricos e simular picos de voltagem, para determinar se os produtos permanecem em condições de uso após os testes de resistibilidade.

Alguns dos testes são aplicados nas portas de energia dos dispositivos, enquanto outros são aplicados nas portas de telecomunicações, que podem ser, por exemplo, as entradas de conexões Ethernet em modems. As condições climáticas para os testes são especificadas nas temperaturas de 22 a 28 graus Celsius e umidade do ar entre 30% e 70%.

Proteção contra incêndios

Durante esse teste, equipamentos são colocados em uma placa metálica enquanto uma corrente de 230 VEff é aplicada entre o terminal de telecomunicações e o terminal de aterramento por 15 minutos, com a intensidade alcançando 24 A. Enquanto esse teste é efetuado, o dispositivo não pode demonstrar qualquer sinal de que pode entrar em combustão.

Proteção de sobretensão na porta de telecomunicações

Para esse teste, as portas de telecomunicações de equipamentos são conectadas a geradores e aplicadas tensões de até 1500 V em corrente alternada e 2120 V em corrente contínua, cada uma por um período de 60 segundos, durante as quais o dispositivos não podem apresentar corrente de fuga superior a 10 mAEff.

Proteção de sobretensão em portas de energia elétrica

Durante esse teste, as portas de energia elétrica do dispositivo são conectadas a um circuito e aplicadas uma sobretensão de até 1575 V em corrente alternada por 60 segundos, e durante esse período o dispositivo não pode apresentar corrente de fuga superior a 10 mAEff.

Imunidade a perturbações eletromagnéticas

Esse teste requer que equipamentos sejam imunes a uma série de picos e distúrbios de energia elétrica. É importante notar que para ser considerado imune a essas perturbações, o produto deve estar em funcionamento e permanecer em condições de uso após todos os testes serem aplicados. Além disso, os equipamentos não podem cessar suas funções principais durante os testes.

Os testes requerem que o equipamento seja submetida a rápidas perturbações eletromagnéticas, que incluem:

  • Descargas de 1000 V em portas de telecomunicações
  • Descargas de 2000 V em corrente alternada aplicadas a portas de energia elétrica
  • Descargas eletrostáticas de 6000 V aplicadas por contato direto
  • Descargas eletrostáticas de 8000 V aplicadas pelo ar

Equipamentos também devem ser imunes a uma redução de tensão de até 95% por uma duração de 300 ciclos, dependendo da natureza do produto.

Resistibilidade a perturbações eletromagnéticas

Esses testes requerem que o equipamento esteja em funcionamento e seja aplicado perturbações por períodos de cinco a dez minutos, com um intervalo mínimo de um minuto entre elas. Após essas aplicações, os produtos devem permanecer em condições de uso. Algumas delas incluem:

  • Pico de 1500 V aplicado na porta de telecomunicações, ou pico de 1000 V no caso de ser uma porta interna
  • Pico de 4000 V aplicado entre a porta de energia e um terminal de aterramento
  • Pico de 2000 V aplicado à porta de energia

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Autor do Artigo

Marcelo Teixeira

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