Internet das Coisas nas indústrias do Brasil

Publicado: 25 Jun 2015

Última Atualização: 25 Jun 2015

O uso de tecnologias IoT por indústrias brasileiras deve crescer nos próximos anos. Neste artigo, vamos conferir o progresso do M2M no Brasil, o regulamento para este setor e companhias em destaque operando no país.

Setor IoT no Brasil e usos industriais

O setor de tecnologia da Internet das Coisas ou IoT, em inglês, no Brasil tem demonstrado crescimento contínuo nos últimos anos, de acordo com uma pesquisa recente. Um estudo da Qualcomm, de 2013, sobre mercados globais de tecnologias M2M mostrou que o Brasil tinha a terceira maior base deste tipo de equipamento no mundo, com mais conexões que alguns países como Japão e Reino Unido.

A pesquisa da Qualcomm, entretanto, mostrou que esses dispositivos eram, em sua maioria, tecnologias de rastreamento de automóveis com 35% das conexões e máquinas de pagamento em frente de caixa com 50% das conexões. Naquele ano, dispositivos M2M para uso industrial chegaram a 250 mil unidades, representando apenas 3% do total destas conexões no país.

A adoção lenta da tecnologias IoT para uso industrial no Brasil pode estar relacionada aos altos custos para a manutenção de suas conexões, considerando que, até desenvolvimentos recentes, conexões M2M no país recebiam a mesma cobrança severa de taxas que assinaturas de aparelhos móveis. Como um passo inicial para superar o problema e promover a expansão da tecnologia no Brasil, o Governo Federal instituiu em 2014 uma política de impostos mais branda para certos tipos de conexões M2M. Ela se refere a dispositivos que não requerem interação humana para funcionar, não cobrindo, por exemplo, as conexões equipamentos de frente de caixa.

O principal uso industrial de tecnologias M2M no país estão relacionados a telemetria e automação usada, por exemplo,para controlar máquinas, monitorar consumo de energia e gerar informação de entrada e estoque. Dados mais avançados de maior uso dessas tecnologias agora estão limitadas aos tipos de conexões oferecidos pelos operadores móveis nacionais.

Hoje em dia, a maioria das operadoras brasileiras oferecem planos de conexão M2M que utilizam as conexões GPRS e EDGE. Este é o caso das líderes de mercado Claro e Vivo, que representam aproximadamente 75% das conexões desse tipo no Brasil. A operadora TIM foi a primeira a oferecer conexões LTE M2M em Agosto de 2014, e opera mais de 144 mil terminais IoT industriais e automotivos no país.

Barreiras para a expansão da IoT industrial no Brasil

Um aspecto relevante para a adoção lenta da IoT nas indústrias brasileiras é a quantidade pequena de profissionais com conhecimento em programação e operação desse tipo de equipamento. Os trabalhadores especializados são encontrados, em sua maioria, em outros segmentos da indústria de tecnologia, representando um fator limitante para o desenvolvimento e implementação de soluções em IoT no país.

Além disso, muitas indústrias brasileiras utilizam equipamentos legados, incapazes de se conectarem a redes IP, limitando severamente a adoção de soluções IoT. Ao mesmo tempo as redes nacionais geralmente não fornecem a baixa latência necessária para uma operação eficiente destes dispositivos.

Política de impostos para conexões IoT no Brasil

Conexões IoT estão sujeitas a menores impostos desde a introdução de uma política especial em 2014. Ela institui a isenção do imposto Fistel para cartões SIM usados em conexões M2M e a redução das seguintes tarifas:

  • TFI, cobrada no início do processo de ativação de cartões SIM, de R$ 26,83 para R$ 5,68 por cartão.
  • TFF, cobrada anualmente para conexões móveis, de R$ 8,94 para R$ 1,89 por cartão

É importante ressaltar que esta política é aplicável a “dispositivos que fazem uso de redes de telecomunicações que transmitem dados para aplicativos remotos de forma a monitorar, medir e controlar o próprio dispositivo, o ambiente próximo ou sistemas de dados conectados através de suas redes, sem intervenção humana”, o que é direcionado, em sua maioria, para usos industriais de dispositivos M2M.

Conexões sob este regime, chamadas de M2M Especial, começaram a ser quantificadas pela ANATEL em agosto de 2014. Em dezembro do mesmo ano, a agência já contabilizava 1,2 milhão de acessos móveis no país ou 0,46% do total de conexões móveis no país.

Empresas em destaque no setor de IoT industrial no Brasil

Alguns dos provedores mais importantes de equipamentos de IoT industrial e serviços no Brasil incluem:

  • WylessTM Data: o provedor brasileiro de soluções M2M TM Data foi adquirido pela multinacional Wyless em 2013, e atualmente oferece serviços para pequenas a grandes empresas que incluem telemetria, rastreamento, finanças, logísticas e também um ERP proprietário integrado com equipamento M2M desenvolvido para soluções de gerenciamento
  • Gemalto: o fornecedor alemão de tecnologia Gemalto, que adquiriu o desenvolvedor de equipamentos M2M Cinterion em 2010, está focado na expansão no mercado industrial de M2M na América Latina e atualmente oferece soluções de medição inteligente, rastreamento, pagamento, computação industrial e gerenciamento remoto
  • Sensorweb: startup brasileira, do estado de Santa Catarina, especializada em telemetria de temperatura, fornecendo soluções para vários tipos de empreendimentos baseados em comunicações IoT e gerenciamento remoto
  • T-Systems: a subsidiária multinacional da Deutsche Telekom estabeleceu uma unidade de pesquisa no Brasil em 2013 para desenvolver soluções industriais para M2M, que incluem gerenciamento e plataforma de logísticas que também utilizam a tecnologia RFID

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Autor do Artigo

Marcelo Teixeira

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