7 Dicas para Estabelecer um CDN PoP no Brasil

Publicado: 13 Oct 2015

Última Atualização: 10 Nov 2015

Provavelmente é desnecessário dizer, mas o Brasil não deveria ser um país de PoP único por ele ser enorme.

Nesse artigo, vamos apresentar algumas de nossas experiências com planejamento, instalação e testes de CDN, Content Delivery Networks, também conhecida no Brasil como Rede de Fornecimento de Conteúdo.

Antes de começarmos, é importante termos noção do tamanho do Brasil. O país cobre aproximadamente 50% da América do Sul. E que Boa Vista, capital de Roraima é greograficamente mais próxima à Miami do que São Paulo.

1) Localização

Como mencionado anteriormente, o Brasil não é o país ideal para a utilização de um PoP único. A distância entre o norte e sul do país é de aproximadamente 4.394 quilômetros. Teoricamente, essa distância confere uma viagem de ida e volta entre os dois extremos do país de aproximadamente 50 ms, se utilizarmos um cabo de fibra ótica contínuo. A realidade é que, o percurso de ida e volta entre São Paulo e Manaus, a maior cidade do norte brasileiro, é de 200 ms.

Devido ao ponto de conexão dos cabos submarinos de fibra ótica, em Recife, a maioria da região Nordeste pode ser melhor servida de um CDN PoP em Miami do que de um CDN PoP com origem no sul do país.

Localizar PoPs em países vizinhos ao Brasil pode ser de grande ajuda. De um ponto de vista geográfico, cidades como Buenos Aires, na Argentina, e Montevidéu, no Uruguai, parecem estar melhor localizadas para atender a região sul brasileira. Contudo, a infraestrutura entre os países não é ideal, e você provavelmente será melhor atendido transmitindo conteúdo dos EUA para o Brasil do que de qualquer país vizinho.

Com a utilização de um único PoP no Brasil, existem apenas duas opções de localidades. Estamos nos referindo ao Rio de Janeiro e São Paulo, sendo o último claramente o favorito. São Paulo é o ponto central de internet no Brasil, sendo responsável por aproximadamente 85% de todo intercâmbio de tráfego de internet no país.

2) Provedores de Co-locação

É uma tarefa difícil recomendar um provedor específico, mas nós já tentamos resumir todos os provedores de co-locação no artigo 100+ Provedores de Co-locação no Brasil.

Se você já possui qualquer tipo de acordo com provedores como a Equinix ou a Level3, é interessante entrar em contato com seu gerente de contas para negociar preços mais acessíveis.

Com base em nossa experiência, a maioria dos provedores de co-locação adicionam uma margem de 10% a 15% de negociação à proposta inicial.

Você certamente vai querer garantir que o provedor possui um uplink que seja, pelo menos, conectado ao ponto de intercâmbio de internet PTT Metro+ em alguma das maiores redes brasileiras, como a GVT ou Embratel.

Localização dos Pontos de Intercâmbio de Internet no Brasil

A Equinix opera a maior infraestrutura de co-locação no Brasil, com 4 data centers localizadas no estado de São Paulo e Rio de janeiro, com um total de 10 mil metros quadrados. Ambas as instalações são completamente interconectadas. A instalação na cidade de São Paulo são conectadas com o PTT Metro localizado na região, o mais importante do país. A Equinix oferece co-locação livre de portadoras, permitindo conexão com os maiores ISPs brasileiros como a GVT, Embratel, Algar, Vivo e Oi. A Equinix expandiu suas operações na América Latina após a aquisição da empresa brasileira Alog.

Em setembro de 2015, a Softlayer instalou sua segunda infraestrutura de cloud computing no Brasil, oferecendo uma nuvem pública focada em clientes locais que antes utilizavam instalações estrangeiras e outras na América Latina. O data center está localizado na cidade de Jundiaí, a menos de 100 km de outro localizado na cidade de Hortolândia.

A Level 3 possui uma infraestrutura de data center localizada nos estados de São Paulo, Rio de janeiro e Paraná.

3) Prática Empresarial

A média brasileira de preços para serviços de data center são similares àquela encontradas nos EUA, por exemplo. Você terá de pagar pelo espaço no rack, largura de banda simétrica, consumo de energia, e portas de rede como, de certa forma, componentes independentes.

Normalmente, é vantajoso co-locar seu próprio switch no rack se você precisa de 3 ou mais portas de rede.

A maioria dos data centers permitem provedores de serviços terceirizados em suas instalações, e se você precisa de serviços imediatos, assistência de instalação, ou quaisquer outras tarefas que consumam muito tempo que não requeiram contratos de serviço, é válido explorar a opção de contratar tais serviços separadamente do provedor de data center. A economia nesses casos pode ser de 50% ou mais.

4) Padrões Técnicos

É importante ficar atento aos requisitos para o backup de baterias e geradores de energia, uma vez que quedas de energia podem ser frequentes dependendo da região. O verão é uma época em que cidades como o Rio de Janeiro e São Paulo sofrem com fortes tempestades com raio, tornando necessária medidas de proteção para picos de alta-voltagem. Esse tipo de equipamento deve ser fornecido pelo operador do data center com uma acordo de nível de serviço correspondente. Lembre-se que filtros locais de energia podem facilmente causar interrupções na transmissão.

É importante verificar a voltagem disponível no local. Em cidades como São Paulo, a maioria das edificações possuem voltagem em 110V, com opção para 220V. Cidades litorâneas, como o Rio de Janeiro, por exemplo, geralmente fornecem o padrão 220V. Atentando para o fato de que nem todos os data centers possuem opção para 110V.

5) Importação de Equipamentos

Certamente, será caro adquirir servidores e equipamento de rede de fora do Brasil.

Normalmente, os custos de importação de uma pequena quantidade de equipamentos de TI aumenta em até 100% o seu valor. Perceba que a tributação pode variar de 10% a 20%, dependendo do estado ao qual ele se destina.

Antes de despachar a mercadoria, você precisará de um intermediário que possa lidar com a importação e a classificação, uma vez que a maioria dos operadores de data center não possuem licença para tal operação. Importar servidores com um intermediário que tenha experiência com esse tipo de serviço deve levar em torno de 4 a 8 semanas, enquanto se houver qualquer irregularidade com a documentação pode levar de 4 a 6 meses.

Aviso: detalhes como confusão entre o tamanho físico e o peso da mercadoria especificado no Bill of Lading e o tamanho e peso real podem ser categorizados como irregularidades e estar sujeitos a multas

Aviso 2: existem diversos intermediários que alegam fazer o serviço de importação a um custo muito inferior. Se eles não lhe informarem do cálculo exato da tributação: Imposto de Importação, IPI, ICMS, PIS e COFINS, eles podem estar tentando deixá-lo com uma conta a ser paga após o carregamento das mercadorias, ou eles as contrabandearão para dentro do país.

6) Buscando Equipamentos Locais

Sempre que possível, utilizar equipamentos locais é a melhor estratégia. Servidores são de fato mais caros no Brasil que aqueles encontrados fora do país, contudo, opções mais populares dos OEMs com fabricantes locais, como Dell e IBM, tem normalmente um preço próximo ao encontrado no exterior.

A maioria dos fabricantes de equipamentos possuem algum tipo de representação no Brasil, incluindo aqueles de nicho como a Supermicro. Os OEMs que não produzem ou montam equipamentos no Brasil tendem a suportar importações e distribuidores que possam diminuir a carga tributária, deixando os equipamentos vindos de outros países mais baratos do que se você importá-los por si mesmo com intermediários.

Além do custo, há também a grande vantagem de economia de tempo ao optar por equipamentos brasileiros. Os servidores são geralmente enviados em apenas dois dias.

Aviso: O pagamento pode ser mais desafiador ao comprar localmente, uma vez que nem todos os distribuidores e revendedores trabalham com empresas estrangeiras, e eles tendem a exigir pagamento no ato da compra.

7) Importação para o Brasil sem Custo Adicional

Pode até soar bom demais para ser verdade, mas é uma opção que vale a pena ser explorada. Alguns dos maiores OEMs no exterior tem programas internos voltados para a indústria que permite comprar o equipamento diretamente no país escolhido, recebê-lo no local para configuração e depois retornar ao distribuidor, que posteriormente cuidará do processo de entrega para o país de escolha.

Tais tipos de programas são pensados para atender grandes empresas multinacionais que possuem operações em diversos países, mas se você já possui qualquer tipo de acordo com IBM, HP, ou qualquer outra marca premium de servidores, é válido explorar tal opção.

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Autor do Artigo

Egil Fujikawa Nes

Egil Fujikawa Nes