Marketplaces de Arte no Brasil 

Publicado: 3 Sep 2015

Última Atualização: 3 Sep 2015

Galerias online como o DeviantArt mostram que artistas brasileiros talentosos não estão em falta. Seus designs inspirados e criativos podem ser encontrados em diversas galerias digitais, e são apreciados por compradores de todo o mundo, disponibilizadas em uma variedade de formatos e disponível em marketplaces de vários países. No entanto, quando se trata de vender seus trabalhos para outros brasileiros, as opções são bastante restritas.

Uma dos caminhos para esses artistas é oferecer produtos customizados e feitos à mão em marketplaces como o Elo7, que é focado nesse segmento e recentemente recebeu investimentos estrangeiros e anunciou planos para expandir na América Latina. Todos os tipos de produtos podem ser encontrados nas suas prateleiras virtuais, desde convites de casamento a tapetes, vasos e quadros. Ainda que não se defina como uma galeria de alto nível para peças de arte, o Elo7 pode ser um ótimo espaço para artistas que pretendem testar a venda de suas peças por canais online no Brasil, particularmente para aqueles que experimentam com diferentes formatos de itens decorativos.

O próximo passo para desenhistas, ilustradores e designers talentosos seria participar das galerias online que comercializam impressões de alta qualidade, das quais a mas relevante é a franquia Urban Arts. Criada em 2006, a galeria rapidamente ganhou tração no mercado brasileiro, abrindo sua primeira loja física em 2011 e contando atualmente com 16 lojas afiliadas no país. Seu modelo de negócio é simples e utilizado por diversas empresas estrangeiras, embora pouco explorado no Brasil: artistas enviam seus trabalhos, são selecionados pelos curadores da galeria e recebem uma comissão de 20% por cada impressão vendida pelo site e 10% por cada impressão vendida em lojas.

Ainda que não tenha rivais em termos de oferecer visibilidade no Brasil, o foco da Urban Arts em funcionar como uma galeria de arte pode desagradar artistas, especialmente por causa da cláusula de exclusividade contratual que impede que trabalhos sejam vendidos por outros serviços no país (ainda que seja possível vender as artes para serviços estrangeiros).

Impressão de arte em roupas e itens decorativos

O mercado consumidor brasileiro, ainda que não seja amplamente reconhecido como um dos maiores compradores de arte do mundo, desenvolveu um grande apelo pela venda de itens decorativos por canais online. Pesquisas recentes da empresa de análise de mercado E-bit indicam que esse é o sétimo setor com maior número de vendas no e-commerce brasileiro, sendo responsável por 7% dos pedidos realizados no país. Diversas lojas de impressão sob demanda nesse setor foram lançadas recentemente no Brasil, que combinam a oferta de itens decorativos com os trabalhos de designers e, dessa maneira, oferecem um caminho viável para artistas nacionais. E, além disso, eles trabalham com o segmento que mais vende no e-commerce brasileiro, que é o de roupas e itens de moda.

Uma dessas iniciativas é o Colab55, o autoproclamado pioneiro no modelo de production house no Brasil. A startup da cidade do Rio de Janeiro é inspirada em empresas internacionais e permite que artistas enviem seus trabalhos para serem impressos sob demanda em múltiplos formatos, como camisetas, canecas, capas de celular e almofadas, e escolher o preço desses produtos, o que determina os royalties que receberão por cada venda. Todas as funções de produção, vendas e envio são de responsabilidade da empresa, e termos contratuais permitem que designers comercializem os mesmos trabalhos por meio de outros serviços, seja dentro ou fora do Brasil.

“Quase todos os artistas com quem conversamos sobre a Colab55 antes do lançamento adorariam ver produtos com suas artes - e já haviam pensado nisso em algum momento - mas não tinham tempo/dinheiro/experiência para gerir o processo todo. Nós produzimos, entregamos e ainda cuidamos do atendimento, do pós-venda e de trazer consumidores até os Studios, fazendo um tipo de matchmaking. Nossos artistas adoram: eles se impressionam com a facilidade e o custo zero da operação”, diz Barbara Veloso, que já foi designer do Google e é co-fundadora do Colab55, com os sócios Breno de Oliveira e Maria Eduarda Bandeira.

O trabalho dela, e o de mais de 200 artistas, pode ser encontrado nos Studios do site, que são as páginas individuais nas quais cada designer envia sua arte para ser vendida em diversos formatos. A estrutura parece a de uma rede social, ou um hub de arte, como chamam os criadores. “Hoje, é muito difícil encontrar uma comunidade que englobe tantos artistas nacionais com trabalhos incríveis”, afirma Barbara. “Para o futuro deste segmento, apostamos em um modelo inovador que é quase artesanal e que ao mesmo tempo escale, onde a produção sob demanda e o cuidado com o atendimento proporcionem a singularidade procurada por consumidores durante a experiência da compra também.”

Os designs expostos no marketplace são inspirados por diversas fontes, de ícones da cultura pop a formas geométricas, colagem e Grafiti, e em muitos casos com elementos de humor. A grande variedade de estilos e a facilidades para que designers enviem seus trabalho para a plataforma do Colab55 poderão ser os fatores definitivos para o sucesso dessa iniciativa no Brasil, à medida que um grande número dos consumidores passa a se interessar em produtos decorativos elaborados e que refletem seus gostos pessoais, .

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Autor do Artigo

Marcelo Teixeira

Marcelo Teixeira