Tecnologias Inteligentes de Mobilidade Urbana no Brasil

Publicado: 14 Dec 2015

Última Atualização: 14 Dec 2015

A fim de evitar problemas de mobilidade na grandes cidades brasileiras, diversas tecnologias e aplicações estão sendo desenvolvidas para auxiliar a população em sua rotina diária. Neste artigo, vamos mostrar como o conceito de cidades inteligentes está sendo utilizado para melhorar a mobilidade nas cidades brasileiras.

Conceitualmente, uma cidade inteligente, ou smart city, é definida como um município baseado em um desenvolvimento e crescimento inteligente, utilizando tecnologias de informação e comunicação, os TICs. Tais aplicações visam melhorar a ocupação geográfica e transformar a vida e trabalho de seus habitantes, economicamente e socialmente. Outra definição também inclui a humanização do espaço público e soluções sustentáveis.

No Brasil, a ideia de cidades inteligentes está crescendo lentamente à medida que empresas e prefeituras firmam parcerias entre si para implementar novas tecnologias nas grandes cidades do país. Apenas 20% das cidades brasileiras com mais de 200 mil habitantes usam a tecnologias para o gerenciamento de tráfego, de acordo com levantamento da FGV. Essas tecnologias incluem semáforos inteligentes, sinais eletrônicos, câmeras de vigilância e sistemas para gerenciar o transporte público. Dentre estas cidades estão São Paulo e Rio de Janeiro, as maiores do país.

A agência de pesquisa Urban System publicou uma lista com as cidades que mais investem em soluções inteligentes nos mais diversos âmbitos. As cinco maiores são as seguintes:

  1. Rio de Janeiro (RJ)
  2. São Paulo (SP)
  3. Belo Horizonte (MG)
  4. Brasília (DF)
  5. Curitiba (PR)

A Política Nacional de Mobilidade Urbana, também conhecida como PNMU, foi publicada em 2012 pelo Governo Federal. A PNMU estipula que cada município com mais de 20 mil habitantes devem possuir um plano de mobilidade até 2015, focando no transporte público. Contudo, quase nenhuma destas cidades desenvolveram um plano.

O Governo Federal lançou em 2014 o Programa Nacional de Plataformas do Conhecimento. O programa tem foco no desenvolvimento de pesquisas nas áreas de ciência e tecnologia no país, abrangendo diversos produtos incluindo cidades inteligentes. Espera-se que o programa dure pelo menos 10 anos com investimentos na ordem de R$ 20 bilhões.

Mobilidade na Maior Cidade do Brasil

Mesmo com os problemas evidentes, a cidade de São Paulo é a mais bem avaliada no quesito de mobilidade urbana inteligente. O Plano Diretor da cidade foi recentemente atualizado, focando no equilíbrio entre moradia, mobilidade e emprego. São Paulo ganhou 509 novos veículos por dia em 2014, um crescimento de 3,4% comparado ao ano anterior, mesmo com a existência de programas para encorajar o uso do transporte público. A cidade possui atualmente 8 milhões de veículos. O número de passageiros de ônibus caiu 0,3% na capital, de acordo com a SPTrans, empresa que administra o serviço na cidade.

A cidade de São Paulo já possui sistemas para melhorar o uso de ônibus pela população, como GPS integrado em uma grande parcela da frota de ônibus e sistemas em paradas ônibus para identificar o horário de chegada dos ônibus. A SPTrans ainda torna disponível o código fonte com informações sobre o serviço para desenvolvedores. O sistema oficial da empresa, Olho Vivo, oferece dados sobre rota das linhas de ônibus, horários, localização do ônibus e planejamento de viagem.

Trens e metrôs possuem apenas aplicativos oferecendo informações sobre o mapa e situação das linhas.

Aplicativos Móveis para Mobilidade Urbana

Aplicativos móveis voltados para a melhoria da mobilidade dos usuários nas cidades se tornaram mais populares no Brasil através dos anos, especialmente pelo fato que estes aplicativos já criaram conteúdo localizado para cidades brasileiras.

O Waze é um dos aplicativos mais populares, utilizado especialmente para evitar congestionamentos em grandes centros para aqueles que dependem do carro para se deslocar. O Brasil é o segundo maior país em base de usuários no aplicativo, com um total de 3 milhões. Ciente dessa demanda, os desenvolvedores do Waze já adicionaram modificações ao software para adaptá-lo ao sistema brasileiro de trânsito como informação sobre regiões com vigência de rodízio, aplicadas em algumas cidades. São Paulo e Rio de Janeiro são as cidades com maior número de usuários no Brasil, se colocando como a quarta e quinta maiores cidades na América Latina. O Waze também trabalha em colaboração com empresas e prefeituras.

Logo após, estão os aplicativos de táxi como o 99Taxis e o Easy Taxi, correspondendo a 95% de todas as chamadas no mercado de aplicativos desse tipo.

E com a popularização de bicicletas como meio de transporte nas grandes cidades, novos aplicativos também estão sendo desenvolvidos para atender à crescente demanda. Entre eles estão o Pedala SP, Biker App e Itinere. O Google Maps também possui um recurso que oferece rotas com ciclovias nas cidades brasileiras que as possuem.

Também é possível encontrar outros tipos de aplicativos como para buscar vagas de estacionamento, caronas, aluguel de bicicletas, horário de ônibus, entre outros. Os aplicativos incluem Onde Parar, Vai de Bike, Moovit e Olho Vivo. A maioria desses aplicativos são desenvolvidos por startups ou pequenas empresas, o que garante conteúdo e serviços ainda mais personalizado para determinado público.

De acordo com pesquisa, o tempo médio de deslocamento entre a casa e o trabalho na cidade de São Paulo é de aproximadamente 43 minutos. Um dos maiores problemas em diversas regiões metropolitanas do Brasil é o fato de que a população, que vive em sua maioria em cidades satélites, devem ir ao centro para trabalhar ou utilizar serviços de melhor qualidade. Aplicativos voltados para mobilidade surgem como uma alternativa para que tais pessoas possam gerenciar a forma como se movem pela cidade com mais eficiência, tanto pelo tempo quanto economicamente.

Economia Compartilhada

Uma das tendências entre os novos aplicativos é a chamada economia compartilhada, conceito que está crescendo nas cidades para melhor alocar recursos a partir do compartilhamento deles. Isso pode incluir alugar um quarto para turistas em um apartamento, até oferecer carona para uma pessoa indo na mesma direção que a sua. A economia compartilhada é um conceito recente, sendo considerado como uma forma simples de criar cidades mais humanas.

No Brasil, a economia compartilhada chegou recentemente e já enfrenta certas limitações, como o aplicativo Uber, que é alvo de diversas controvérsias relacionadas à tributação e regulamentação do serviço. Mas existem outros casos que obtiveram sucesso para o compartilhamento de carros como o Blablacar, Zazcar e Tripda.

A implementação de tecnologias alternativas está sendo amplamente adotada uma vez que é uma forma mais rápida de contornar o problema de mobilidade. Os municípios dificilmente conseguem acompanhar seu crescimento acelerado, não oferecendo a infraestrutura e os serviços adequados. Além disso, diversas dessas cidades não possuem espaço para receber as modificações necessárias.

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Autor do Artigo

Lucas Boechat

Lucas Boechat

Contribuidores Editoriais